Breve introdução ao Radio Amadorismo:

 

Os radioamadores são pessoas comuns, que se interessam pelos temas da rádio, electrónica, informática, televisão, etc... Há faixas do espectro radioeléctrico destinadas às experiências dos radioamadores, que incluem a onda curta (HF), sensivelmente dos 1.5 aos 30 MHz, o VHF (145MHz) , o UHF (440MHz), e bandas de frequências mais altas (micro-ondas) como o SHF que se estende até aos 250GHz.

Em HF (1.5-30MHz ou 160 aos 10m), o mais comum é darem-se comunicações em fonia, mas também se pode transmitir texto (PSK, RTTY...), dados (PACKET) ou até imagens (SSTV). Estas faixas são utilizadas fundamentalmente para comunicações a grande distância (internacionais ou intercontinentais/DX), pois a propagação atmosférica permite que, por sucessivas reflecções, as ondas de rádio alcançem locais fora do horizonte visual (linha de vista).

Em VHF (144-146MHz ou ~2.0m), uma das bandas por onde os radioamadores costumam iniciar a sua actividade, dados os preços mais acessíveis dos equipamentos, é comum escutar transmissões em fonia (em FM), quer em comunicações directas (ponto a ponto) ou via repetidor (retransmissor). A utilização destes repetidores é muito vantajosa pois permite que um operador, com um rádio portátil na sua mão, faça comunicações a nível regional ou mesmo nacional, quando a propagação o permite. Na faixa de VHF também se pode fazer transmissão de dados (packet), a difusão das coordenadas da pessoa (APRS) ou comunicações de fonia com modulação digital (DStar).

Esquema Ilustrativo de uma Comunicação via Repetidor

 

O UHF (430-440MHz ou ~70cm) é muito similar ao VHF no que toca às possibilidades de utilização, mas é uma banda muito menos ocupada e que, em geral, é mais útil em zonas urbanas (as ondas electromagnéticas de maior frequência são mais penetrantes) e comunicações locais ou regionais, com ou sem recurso a repetidor. Uma utilização interessante da banda dos 70cm é o EchoLink, uma rede a nível internacional que permite comunicações em fonia partir do computador ou rádio, sendo as comunicações transmitidas pela internet através de protocolos VOIP e reemitidas no outro lado do mundo, por exemplo.

 

Esquema Ilustrativo de uma Comunicação via EchoLink

 

Vista do Software EchoLink

 

Por uma questão de organização e impossibilidade de falarmos todos em simultâneo, quando se utiliza uma estação ligada ao sistema echolink, há que verificar em que conferência esta se encontra (como se se tratasse de salas de chat!), e assim a nossa comunicação só será escutada pelos amadores que se encontrem à escuta via PC ou via link de rádio, naquela conferência.

Os Echolinks funcionam na banda de UHF por uma questão de preservação do espectro radioeléctrico, pois a banda de VHF já se encontra muito congestionada e tem uma largura de apenas 2MHz, ao invés dos quase 10MHz disponíveis em UHF, proporcionando "espaço" suficiente para estas modalidades!

Para uma listagem completa dos nós de rádio Echolink, clique aqui (é necessário ter o Google Earth instalado!): Node Location.kmz

Mais informações em: http://www.echolink.org/

 

Na transição entre o UHF e o SHF temos a banda dos 1.2GHz, muito utilizada para transmissões de ATV ou TVA (Amateur Television ou Televisão Amadora), com imagens e audio de qualidade muito razoável! A Liga de Amadores Rádio Sintra (LARS) mantém em funcionamento um repetidor de ATV, sendo que as imagens transmitidas por este são difundidas via internet em: http://www.qsl.net/lars/

Também existem equipamentos comerciais para a realização de fonia na banda dos 1.2GHz (23cm), mas parece-me que não há muitos adeptos da modalidade, dado o curto alcance, custo dos equipamentos e, principalmente, a não existência de repetidores para estas bandas.

 

As frequências de SHF parecem-me muito multifacetadas mas ainda pouco explorada pelos radioamadores.

 

O processo para uma pessoa se tornar radioamadora não é, de todo, complicada.

Em Portugal, a entidade responsável pela organização do espectro radioeléctrico é a ANACOM, sendo esta que realiza os exames de radioamador necessários à emissão do Certificado de Radioamador Nacional e da Licença de Estação.

Em primeiro lugar, é conveniente estudar a legislação nacional respeitante ao hobby. Depois, há que ponderar qual a classe de radioamador desejada (há 3, A, B e C, cada uma com faixas de frequências mais ou menos alargadas). A classe C só permite operar VHF(incluindo repetidores) e UHF(sem repetidores), sendo o exame constituído por 20 perguntas de legislação. A classe B permite operar em ondas curtas, VHF, UHF e SHF (incluindo repetidores), com ou sem morse(O exame inclui legislação-20 perguntas-, electricidade-20 perguntas-, e radioelectricidade-20 perguntas, sendo opcional a prova prática de morse). A classe A dá possibilidade de operar todas as bandas, sendo obrigatório o exame de morse, para além do de electricidade, radioelectricidade e legislação. Os exames são de escolha múltipla (4 hipóteses).

É importante consultar os seguintes links do site da ANACOM, com a legislação necessária:

Decreto-Lei n.º 5/95, de 17 de Janeiro

Portaria n.º 322/95, de 17 de Abril

Portaria n.º 358/95, de 24 de Abril